COMO PERDOAR – PARTE 3

COMO PERDOAR – PARTE 3

Na semana passada falamos que sempre que demoramos para pedir perdão, aquele pequeno sentimento que aparentemente era insignificante pode se tornar uma grande mágoa. 

Na verdade, isso acontece porque temos a tendência de acreditar que aquele pequeno desentendimento vai se resolver sozinho ou que o tempo, por si só, vai dar um jeito de apagar as más lembranças. Mas não é isso o que ocorre, pelo contrário, se não tomarmos uma atitude logo, um pingo de água se transforma em grande tempestade!

E foi uma atitude que precisei tomar quando vi que um pequeno mal-entendido com outra pessoa estava a ponto de comprometer a minha paz com ela.

Nós quase não nos falávamos porque não nos conhecíamos muito. No entanto, um equívoco numa conversa acabou gerando um certo mal-estar entre nós. Aquilo ficou dentro de mim por um tempo, dois tempos, remoendo meus pensamentos, como geralmente acontece quando nos sentimos incomodados com algo que falamos ou fazemos. Eu sabia que não tinha culpa, e que tudo não passou de desentendimento bobo, mas mesmo assim aquilo ficou me incomodando que nem pedra quando entra no sapato.

E se existe algo que a gente tem que tirar da nossa vida são as pedras que pulam para dentro do nosso sapato. Porque as pedras que estão pelo caminho não nos fazem mal. Se prestarmos atenção por onde andamos, elas não nos farão tropeçar. Mas aquelas que entram no nosso calçado não. Estas arranham, ferem e, se não as tirarmos logo, podem até mesmo nos fazer sangrar.

Então, porque não parar um pouco de andar e retirar logo aquele incômodo? Assim, conseguiremos andar melhor, com mais conforto, e até mais rápido, sem sentir dor ou ranhuras desconfortáveis. É simples, não é? Mas até para tirarmos uma pedra do nosso sapato geralmente precisamos nos dobrar, nos curvar.

Da mesma forma, normalmente o perdão só é liberado quando nos curvamos também, quando tiramos do nosso sapato o orgulho e somos humildes para reconhecer o nosso erro, seja de fazer algo contra alguém, seja de sentir algo contra alguém.

Quando isso acontece, podemos nos erguer novamente e caminhar levemente sem ter nada nos incomodando, nem na consciência, nem no sapato, porque agora nossa mente e nosso corpo estão livres para prosseguir. E foi assim que me senti ao pedir perdão à pessoa com quem havia me desentendido.

Nós estávamos participando de um encontro quando de repente pedi a palavra e me dirigi a ela. Falei na frente de todos que gostaria de lhe pedir perdão. Disse que, apesar de o mal-entendido não ter sido minha culpa, gostaria que me perdoasse por todo o transtorno causado.

Não foi nada fácil enfrentar os olhares das pessoas e seus pensamentos, que eu não sabia se eram contra ou favor a mim, mas resolvi não olhar para ninguém e focar apenas nos olhos daquela pessoa. Nem ela nem ninguém esperavam aquilo, e, pra falar a verdade, nem mesma eu, porque não fui pra lá pensando em fazer o que fiz. Apenas fiz quando vi que necessitava fazer.

Ela me perdoou e eu fiquei feliz com a leveza que senti dentro de mim. A pedra finalmente saiu, não porque desapareceu, mas porque precisei me abaixar para retirá-la.

Fonte: Obreiros Universal 

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