Brasil é um fracasso

Vamos direto ao assunto: quando é que o governo federal vai deixar de bravatas e assumir de uma vez que o Brasil está falido? Muito além dos problemas econômicos, o país é um fracasso na educação, na saúde e na infraestrutura básica. Como se não bastasse, pesquisa recente revelou que 21 das 50 cidades acima de 300 mil habitantes mais violentas do planeta são brasileiras.

O Brasil não se cansa de bater recordes negativos. Nos rankings internacionais de educação estamos sempre nas últimas posições. Não oferecemos ao povo saúde de qualidade, nem conseguimos combater a dengue e, mais recentemente, a zika. Milhões de pessoas ainda são desprovidas de água encanada e saneamento básico. Nossos trabalhadores são penalizados com as mais altas cargas tributárias do mundo.

E ainda somos violentos. A lista anual divulgada no fim de janeiro pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal mostra que estamos perdendo uma guerra contra nós mesmos. Das 26 capitais listadas, além do Distrito Federal, 17 são nossas, com taxas de homicídios elevadíssimas por cada 100 mil habitantes.

Fortaleza (CE) lidera entre as cidades brasileiras citadas no estudo -está na 12ª colocação geral, seguida por Natal (RN) e Salvador (BA). João Pessoa (PB), Maceió (AL) e São Luís (MA) estão logo abaixo.

Caracas, a capital da Venezuela, é a primeira do ranking geral. A violência na terra de Hugo Chávez pode ser reflexo da forte crise econômica e da instabilidade política que o país enfrenta. E no Brasil?

Nossos valores morais têm sido gradativamente reduzidos a pó. A concepção familiar é frequentemente atacada por aqueles que a odeiam. As portas para as drogas estão abertas, e o Estado não consegue combater o narcotráfico. A polícia é ultrajada por quem deveria respeitá-la. Os governos estaduais não cumprem suas atribuições. Falta educação. Os salários são baixos. O resto é consequência de tudo isso.

A propaganda estatal diz que tudo vai bem, que a solução está próxima, e que o problema do Brasil é o pessimismo alheio. Penso justamente o contrário: nosso povo é até muito otimista por suportar tanta adversidade e encontrar forças para batalhar por algum futuro que teima em não chegar nunca. O fracasso do país está na desfaçatez, na arrogância e na omissão.

As pessoas estão cansadas. Realmente cansadas. Tenho percorrido o Brasil inteiro nos últimos anos em virtude da minha função e vejo muita frustração por toda parte. Acredito que sairemos da crise econômica, como já fizemos outras vezes, mas e o restante? A educação, a saúde, a segurança e os outros valores subjetivos serão resolvidos em um passe de mágica? Por osmose?

A sociedade perdeu o referencial do que é bom e do que é ruim. Faltam líderes capazes de inspirar e mostrar o caminho a seguir. A juventude não se identifica mais com seus representantes, nem com o sistema político atual. Um país sem rumo faz de seus filhos um povo sem perspectiva. E a falta de perspectiva de um povo leva o país à ruína.

Nesse cenário, continuarão a maquiar os efeitos em vez de fulminar a causa. Os péssimos índices registrados no país só aumentarão, como um câncer silencioso que vai invadindo e destruindo as células sadias, se não tomarmos agora atitudes de fato relevantes.

O impeachment, caso prospere no Congresso Nacional, poderá ser uma saída para o impasse. É muito difícil, mesmo com as melhores intenções, resistir a tantos problemas de uma só vez.

 

***Marcos Pereira é presidente nacional do PRB

Artigo publicado no Jornal Folha de S.Paulo no dia 11/03/2016

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