Deputado Ossesio faz  homenagem a OAB

Deputado Ossesio faz homenagem a OAB

O deputado Ossesio Silva, coordenador da Frente Parlamentar de combate ao Extermínio a Juventude Negra em Pernambuco, requereu Voto de Aplauso a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pelo título de advogado a Luiz Gonzaga Pinto da Gama, 133 anos após a sua morte, depois que conseguiu alforriar, pela via judicial, mais de 500 escravos. Negro liberto que se tornou libertador de negros, Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) ficou conhecido como um rábula que conseguiu alforriar, pela via judicial, vários escravos. O rábula exercia a advocacia sem ser advogado. Numa reescrita tardia da História, sua designação vai mudar. Na noite da última da terça-feira (03/11), em cerimônia na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Luiz Gama foi homenageado pela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Além de ter sido um homem importante na questão do abolicionismo, foi um grande jurista e sua atuação como rábula livrou inúmeras pessoas dos grilhões escravistas”, destacou o deputado Ossesio. “No atual modelo da advocacia brasileira, é a primeira vez que tal homenagem é conferida”, afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coelho. “Já era hora de ele ter esse reconhecimento oficial”, avalia o advogado Silvio Luiz de Almeida, professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do Instituto Luiz Gama (ILG).
Autodidata
Nascido em Salvador, filho de um português com uma escrava liberta, foi vendido como escravo pelo próprio pai quando tinha 10 anos. Alforriado sete anos mais tarde, estudou Direito como autodidata e passou a exercer a função, defendendo escravos. Também foi ativista político, poeta e jornalista. Ele bem que tentou cursar Direito no Largo São Francisco. “Mas a aristocracia cafeeira da época não permitiu, porque ele era negro”, atesta Câmara. “Mesmo assim, era assíduo frequentador da biblioteca de lá.” No prefácio do livro, o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, afirma que Gama foi “o negro mais importante do século 19”. Por complicações da diabete, o abolicionista Gama, entretanto, morreria seis anos antes de a Lei Áurea ser promulgada. Dez por cento da população paulistana, de acordo com estimativas da época, compareceu ao seu enterro – São Paulo contava então com 40 mil habitantes. A multidão começou a chegar ao Cemitério da Consolação, onde ocorreu o sepultamento, ao meio-dia – o enterro estava marcado para as 16 horas. Não houve transporte oficial para o cortejo fúnebre. Do bairro do Brás, onde ele morava, o caixão veio passando de mão em mão até chegar à sepultura, num gesto coletivo.

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Fonte: Alepe

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